A intercambista Bora Lee, de 24 anos, vem direto da Coreia do Sul para explicar um pouco sobre esse termo tão popular nos dias de hoje
A cultura coreana está cada vez mais famosa no mundo e, um dos produtos mais exportados pela Coreia do Sul, além dos doramas, é o kpop. O gênero musical coreano tem ganhado cada vez mais visibilidade internacional, com grupos fazendo turnês mundiais para divulgar ainda mais seu trabalho. A maior divulgação vem pelo Youtube, com seu compartilhamento mundial de vídeos, fazendo com que mais e mais fãs sejam criados a cada visualização.
A estudante Bora Lee, do Dong-ah Institute of Media and Arts, veio passar esse semestre no Brasil para dar aulas de dança de kpop na Unicamp. Ela chegou no dia 21 de março e já está gostando muito do país; Bora nasceu na Coreia do Sul, tem 24 anos e está visitando o Brasil pela primeira vez. Muito comunicativa, a professora respondeu algumas perguntas para nos ajudar a entender um pouquinho mais sobre o kpop e sua influência na Coreia e no mundo. Agradeço à professora Junghee Lee por ajudar na tradução da entrevista.
- Muitas pessoas, quando ouvem "kpop", não sabem o que isso quer dizer. Você poderia explicar um pouquinho pra gente sobre esse gênero musical? Afinal, o que é kpop?
Kpop é a música popular coreana. Então, todo canto coreano é kpop. Os fãs do mundo inteiro acham que somente as canções dos ídolos coreanos e grupos recentes são kpop; 99% das pessoas acha que o kpop é só isso. Existem vários tipos de kpop: ballad, que é o que toca em dramas, como Goblin, por exemplo; trot, que é independente da idade, a maioria dos coreanos gostam; hip hop, hoje em dia, é o mais popular, o mais famoso é o Dean, ele é o mais popular da Coreia.
- Qual a importância do kpop para a Coreia do Sul?
Os coreanos adoram música, canto... desde que acordo até a hora que vou dormir, eu acompanho o kpop. Quando nós ouvimos as músicas, o humor muda; você fica mais animado. A maioria dos coreanos ouve essas músicas para se animar, refrescar a alma, esse tipo de coisa. Como vocês também fazem. Depende do clima também; quando chove nós ouvimos mais ballad. Depende da estação; dependendo do clima, temos preferência de músicas diferentes.
- Como era seu contato com o kpop na Coreia?
É como se fosse uma rotina, desde criança até agora. Os coreanos ouvem muita música. E sempre saem novidades, a cada segundo, a cada momento. Tem os mais populares, o top 10; atualmente, os primeiros são Twice, Taeyeon (Girls Generation) e Girlfriend. Mesmo já tendo acabado, a OST (trilha sonora) de Goblin ainda está em primeiro lugar.
- O kpop, na maioria das vezes, mistura inglês com coreano e, às vezes, os grupos até criam letras em mandarim e japonês de uma mesma música. Por que você acredita que existe essa mistura de idiomas?
Nunca pensei sobre isso. Mas, acho que querem mostrar o significado das músicas em várias línguas. Por exemplo, saranghae em coreano quer dizer eu te amo, então eles mudam para I love you. Acho que eles não tinham o propósito de atingir mais pessoas do mundo mudando o idioma desse jeito, mas foi o resultado, e deu certo.
- Existem muitos grupos que contam com ídolos de outras nacionalidades. Por exemplo, no EXO temos o Lay, que é chinês. O que você pensa sobre essa mistura de nacionalidades no kpop?
Antes não tinham estrangeiros, eram só coreanos, mas, como o kpop está crescendo no mundo inteiro, os presidentes das empresas (de kpop) pegam várias nacionalidades, para ajudar a espalhar a popularidade no mundo. Porque uma pessoa que fala inglês, por exemplo, pode conversar com os fãs nos EUA e nos outros países que falam inglês. Por exemplo, se um brasileiro entrar como membro de um grupo, o Brasil vai ter mais interesse sobre esse grupo, vai ter mais contato.
- O grupo KARD debutou no fim de 2016 e é composto por dois homens e duas mulheres, diferente da maioria dos grupos de kpop que geralmente são só femininos ou só masculinos. Você acha que os grupos mistos vão fazer sucesso? Por quê?
Nos anos 90, tinham esses grupos mistos; mas, hoje em dia, não, não existem muitos mais. Só existe esse grupo, o resto é somente feminino ou somente masculino; então, acho que vai dar certo. Eu não conhecia KARD, mas descobri recentemente que o grupo não faz atividades na Coreia. Alguns amigos meus, que trabalham fora da Coreia, me apresentaram o KARD, pois ele faz muito sucesso no exterior. Se fizer mesmo sucesso, com certeza vão ser lançados outros grupos mistos.
- Hoje podemos ver pelo mundo vários dramas coreanos no Netflix e várias turnês mundiais de shows de kpop. Por que você acha que a cultura coreana está se popularizando tanto pelo mundo?
Eu fiquei muito surpresa com essa popularização; não sei o porquê. Na Coreia, é normal ouvir kpop, assistir dramas coreanos... Como as pessoas do mundo descobrem esses dramas coreanos e o kpop? Isso para mim é sempre um mistério. Para todos os coreanos é uma surpresa que os dramas e o kpop estejam fazendo tanto sucesso; nós nos sentimos muito felizes e muito orgulhosos disso.
- Muitos ídolos do kpop acabam atuando em dramas coreanos também, o que você pensa sobre isso? Você acha que isso ajuda na popularização do kpop?
Eles são chamados pelos diretores por causa de sua popularidade. O diretor escolhe o cantor mais popular para atuar no drama, mas muitas vezes os que assistem nem sabem que ele é um cantor, já que existem muitos grupos de kpop na Coreia. Quando um cantor ou cantora é chamado para fazer um drama e fazem sucesso, o público conhece mais eles e a popularidade dele e do grupo aumentam. Basicamente, se ele cantar bem e atuar bem, ele é perfeito. Por exemplo, a Suzy, do Miss A, depois de filmar um drama, sua popularidade aumentou. Mas, acho que isso tira a vaga de muitos atores e atrizes. Eles precisam passar pela seleção de elenco; quando há um ídolo do kpop disputando, ele tira o lugar desse ator. O público não gosta muito disso; cantor é cantor e ator é ator. Não podem tirar o lugar do outro só porque o k-idol (ídolo coreano) é bonito e tem popularidade. Pessoalmente, eu também acho que ser um k-idol não é fácil; eles treinam muito, se esforçam muito, então isso é bom para eles.
- No Brasil, já tivemos shows como Super Junior, BTS, Shinee, BAP, 24K... Nesse ano, já estão confirmados 4 shows de kpop em terras brasileiras. Dois já aconteceram, BTS e Stellar; ainda temos as apresentações de Masc e KARD. A popularidade do kpop aqui foi um dos motivos de você ter escolhido vir para cá? Você sabia que o nosso país se interessava tanto pela cultura coreana?
Eu sabia sim, os noticiários sempre anunciam que o Brasil gosta muito de kpop, como por exemplo o PSY. Não precisei nem pesquisar, a TV sempre fala disso. Eu não escolhi vir pra cá, na verdade, eu fui escolhida; mas estou gostando, estou feliz por conhecer vocês.
- Quais grupos você considera mais talentosos em questão de vocal, rap e dança?
No rap, gosto de Big Bang, BTS e Monsta X. Na dança, acho que BTS e GOT7. No vocal, gosto de BtoB. Existem também muitos programas de seleção que lançam muitos grupos talentosos.
- Você já viu algum k-idol pessoalmente?
Já fui no show da Ailee e do PSY. Eu trabalhei em uma rádio por um tempo, e encontrei vários grupos; fiquei no mesmo cômodo que o GOT7 e acabei conversando um pouquinho com eles.
- Como será o seu curso de kpop na Unicamp? O que você pretende ensinar para os alunos em sua passagem pelo Brasil?
Vou ensinar as coreografias e gostaria de fazer flash mobs, se for possível. Já fizeram alguns no Uruguai e eu achei interessante.
- O que você diria para uma pessoa que ainda não conhece o kpop e tem curiosidade? Por onde começar?
Acho que, fora da Coreia, o pessoal costuma gostar do estilo de dança do kpop; uma dança bem intensa. Na Coreia, costumamos ouvir primeiro a música; se não gostarmos, nem olhamos o grupo. Mas, fora da Coreia, as pessoas geralmente conhecem através do Youtube. Aconselho que mostrem alguns dos vários vídeos do Youtube para essa pessoa que não conhece.


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